14 de agosto de 2013


Hora de destralhar

por tinywhitedaisies
Uma das palavras que mais gosto nessa vida é destralhar. Acredito que não esteja no dicionário, mas para mim já se popularizou. Ou deveria! E essa é a questão. Não sei se é por estar assistindo demais àqueles programas sobre acumuladores na TV a cabo, ou se é pelo mês de agosto ser sempre um período de botar a casa em ordem.  O certo é que esta palavrinha pipoca direto na minha cabeça. E parece que não é só na minha, pois a versão em inglês, declutter, anda bem na modinha. 

O destralhar significa muito mais do que limpar as gavetas, abrir os armários. Se fosse só a tralha da casa, tudo bem. Uma boa faxina e era isso! Eu me refiro à tralha de sentimentos, que costumamos ir empurrando para baixo do tapete por anos. Ou as "tralhas sociais", como bem descreve a Amanda Arruda, editora da Revista 21, neste texto que reproduzo abaixo. Um texto simples, mas que traz um alerta importante: assim como aquela gaveta em que vamos jogando todos papeizinhos e trecos no dia-a-dia (e que um dia vai trancar de vez de tanta porcaria), nossa mente se esgota de tanta tralha social acumulada, especialmente pela dificuldade de dizer não. É um exercício interessante e um caminho fundamental para uma vida mais simples. 

Declutter na vida – ou as tralhas sociais acumuladas com os “devos”

Quem já leu sobre minimalismo já viu a palavra acima pelo menos uma vez. Declutter. Uma palavra em inglês  para designar  o ato de se livrar de coisas inúteis, a conhecida tralha. Mas essa matéria não é sobre a tralha visível aos nossos olhos, na qual a gente tropeça e faz faltar espaço no guarda-roupa. Não. Existe um outro tipo de tralha, muito prejudicial a nós e ao nosso estilo de vida: a tralha social.
A tralha social não é fácil de identificar. Porque, muitas vezes, entendemos os tipos de atitudes que nos levam a acumular esse tipo de coisa como ‘ser sociável’, ou ‘amável’, ou ‘gentil’. Ainda não pegou? Pois eu explico. Sabe aquela festa boring que você concordou em ir porque a sua amiga não quer ir sozinha, mas preferia ficar em casa lendo um livro, ou assistindo um seriado ou mesmo fazendo nada? Isso é tralha social: algo que você não quer fazer, não sente nenhum prazer fazendo, mas termina fazendo pra ser ‘legal’.
Nesse momento você certamente começou a enumerar várias ‘socializações’ inúteis as quais você já fez, está possivelmente fazendo ou mesmo fará. O meu conselho é: pare. Agora. Ser legal pros outros é bom, mas ser legal pra você é melhor ainda. Se você não quer ir na maldita festa, não vá. Sua amiga encontrará outra pessoa para ir com ela – improvável que você seja a única pessoa disponível na vida dela. E, mesmo que seja: ninguém pode estar acima de você na sua lista de pessoas a satisfazer.
Isso pode soar egoísta e duro, mas não é. Trata-se, simplesmente, de eleger prioridades. Suas prioridades. Tomando o exemplo que já utilizamos: se sua amiga for uma ótima companhia pra você – supondo que ela não seja mais uma das tralhas sociais que você foi arrastando pelo caminho – então não vai ser nenhum problema ir com ela para festa, uma vez que a realidade é que não importa muito onde estejamos, desde que estejamos com gente boa. Entretanto, se você sabe que não há a menor chance de você se divertir, porque ir? Só porque sua amiga pediu? Você, realmente, está colocando a sua felicidade abaixo da felicidade de outras pessoas?
O principal problema de acumular programas com os quais você não se envolve, não se diverte é o seguinte: perder tempo.  Tempo é uma coisa preciosa e, como todos sabem, não volta atrás. Enquanto você está morrendo de tédio naquela festa que foi com a sua amiga, sentado naquela mesinha de bar com gente pela qual você não se importa ou mesmo trabalhando num local pelo qual você parou de se interessar há vidas, você poderia estar vivendo. De verdade. Plenamente. Fazendo o que você quer. Passamos muito tempo preocupados com o que as pessoas querem que nós sejamos ou o que DEVEMOS ser. Não existe isso. De DEVER ser. Ser não é um dever. Ser é natural. E ser você não deve ser doloroso e não será, se você começar a viver a sua vida do jeito que você realmente quer que seja.
Você não precisa excluir todas as pessoas da sua vida, nem todos os seus planos. Atitudes radicais não são boas formas de lidar com relacionamentos, carreiras e outras coisas importantes na vida.  Mas acho que todos nós precisamos parar e repensar. O que eu estou fazendo porque EU quero? Porque EU gosto? Porque ME faz bem? Ou, então, o que EU gostaria de estar fazendo, mas não tenho tempo? A resposta para essas perguntas pode te indicar, de verdade, quem você é (para o caso de você não saber ainda) – e com o que você está perdendo tempo. E, a partir disso, você pode começar a abdicar a algumas coisas inúteis, para abrir espaço para coisas que VOCÊ considera úteis.
Não gosta do que você trabalha? Não precisa pedir demissão agora – todos nós temos contas pra pagar, eu que o diga -, mas há sempre a possibilidade de você começar a procurar um emprego no que você goste. Odeia limpar a casa, mas tem que perder seu tempo fazendo isso? Há outras opções, principalmente se você morar com outras pessoas. Se você mora sozinho, então pague alguém para fazer isso por você. Afinal, o tempo que você gastaria fazendo uma faxina completa na casa – vamos, supor, na melhor das hipóteses, uma manhã inteira – você poderá gastar fazendo algo que te interesse, desde jardinagem à fotografia.
Como a abordagem material, fazer o declutter na vida  nada mais é do que abrir espaço para coisas realmente legais e importantes entrarem nela. Que tal começar agora, fechando esse matéria, cancelando o próximo compromisso e indo ali, pensar em você, nos seus relacionamentos, na sua agenda? Depois você me conta como foi.

Uma colaboração da querida amiga e leitora Patrícia Benvenuti. ;)

2 comentários:

Pati Benvenuti disse...

Adoro a ideia desse texto. Destralhar libera espaço na alma, em todos os sentidos!

Vicente Fonseca disse...

Concordo com o texto e com a Pati. Destralhar é o maior alívio que existe!